
Carta a uma Nação
Querida mãe pátria sendo você também a mãe de todas as mães, antes de tudo, és sinônimo de amor. E amor é dedicação, desprendimento, sacrifício, afeição. É perdão. É aceitação. É doação. É compartilhamento. É o espírito desarmado, sem qualquer ódio, rancor ou malquerença no coração. É fidelidade.
Porém, ter amor no coração não implica passividade, alienação, ou indiferença. Ter amor é continuar vivo, é manter verde a árvore da vida, é apaixonar-se, é ter sempre uma brasa de indignação faiscando contra as injustiças.
A tua dignidade, a tua ética, a tua moralidade e a tua soberania não podem ser dizimadas pelas ações nefastas de políticos internos e externos (financiados pela elite empresarial, banqueira e de grupos criminosos) que buscam o poder e vantagens pessoais a qualquer custo, constantemente semeando em teu solo a miséria, o desemprego, o descaso, a impunidade, a má distribuição de renda e a violação de valores fundamentais da nossa sociedade.
Hoje, o joio sufoca o joio, pois não há mais trigo. É preciso ceifar o campo na sua totalidade para que erradiquemos toda essa “praga” que dizima a tua vida, antes que seja tarde demais.
Falar de ti significa também amor à terra em que nascemos. É esse sentimento que, por assim dizer, se encrusta em nosso DNA quando nascemos e nos acompanha por toda a vida. No entanto, como uma flor, precisa ser regado e estimulado. Regar e estimular essa flor importa em fazer nascer e desenvolver-se um sentimento que não conforta as idéias e programas exógenos, de entrega dos bens nacionais e desse sistema político atual tão cancerígeno e mortal a tudo o que existe.
Em teu seio, o Judiciário se curva aos senhores do Estado, que por sua vez, também se curvam aos senhores detentores do poder econômico, aqueles que não respeitam o ser humano, os direitos e garantias fundamentais assegurados pelas leis criadas por eles mesmos.
Mãe pátria, pontualmente, vivemos um momento muito importante e agitado da nacionalidade. Momento especial para uma reflexão percuciente sobre os nossos acertos e desacertos, sobre nossas virtudes e nossos defeitos, sobre o para onde estamos indo e o para onde queremos chegar. A crise nada mais é que uma justificativa empresarial desumana, opressora, oportunista que favorece aos poucos ricos (empresários e banqueiros) desse País em detrimento da maioria dos homens de bem, trabalhadores.
Precisamos, mais do que nunca, nos fazer presentes nos grandes embates nacionais que dizem respeito, principalmente, aos direitos do cidadão. Precisamos, e a isso concito todos os homens e mulheres de bem (independente de idade, etnia, religião, etc.), precisamos, repito, estar atentos às artimanhas daqueles que jogam com o Poder, que pertencem à toda sociedade brasileira, distribuindo cargos e verbas em manipulação dos fracos de espírito para conseguirem a consecução dos seus projetos, nem sempre legítimos, éticos e morais.
Fato, é que o neoliberalismo (pai da globalização) trouxe sérias repercussões políticas e econômicas concentrando rendas e diminuindo as possibilidades de trabalho e demonstrou o enfraquecimento do Estado-Nação e a transformação das relações entre capital e trabalho e este é o retrato mais resumido, mas fiel, autêntico e real do que permeia o teu solo.
Perdoa-me, mãe pátria, por te fazer essas considerações mas, não posso deixar de pensar nos meus irmãos brasileiros (teus filhos) que passam fome; os milhões de desempregados que querem trabalhar e não encontram trabalho; os milhares de sem-terra que querem produzir, mas são impedidos de produzir, embora os bilhões de metros quadrados de terras não utilizadas à sua função social, que guardas em teu regaço; assim como os milhões de aposentados da previdência social ou da complementação da previdência privada, considerados como escória ou lixo social, coisa descartável, entulho ao desenvolvimento econômico do País, novamente aqui, visão típica do sistema neo-liberal que dominou ontem e domina hoje o pensamento dos dignatários que governam o País, para os quais a ética, a moral, a retidão de caráter passaram a ser defeitos de comportamento e não virtudes para favorecerem a implantação de idéias e programas alienígenas dentro das nossas fronteiras.
Finalmente querida mãe pátria, desejo acordar amanhã de manhã e em todas as manhãs que se seguirem, poder contemplar o sol da liberdade em raios fúlgidos e novamente mostrar-lhe que um filho teu não foge a luta.
Já engoli muitos absurdos políticos, como cidadão, ao longo de todos esses “infindáveis” anos e não posso mais engolir o maior deles que se chama o VOTO OBRIGATÓRIO! (esse sim, o absurdo dos absurdos). Portanto, exercendo o meu direito, pela primeira vez na vida, eu vou ANULAR o meu voto em 2010. E, sendo sincero, tenho o leve pressentimento de que não vai ser a última vez.
Acredito que a maior manifestação de democracia que o povo brasileiro pode dar, diante de toda essa falta de ética e escrúpulo demonstradas pelos políticos profissionais e seus patrocinadores, que sempre dominaram o meio, é anular o seu voto, uma vez que o mesmo é obrigatório até que possamos estabelecer a verdadeira democracia, como na maior nação do mundo, que colocou um afro-americano para governá-la.
São José dos Campos, (SP) Janeiro/2009
M.N.F.V.O – Movimento Nacional pelo Fim do Voto Obrigatório
http://www.usinadaspalavras.com/txtautor.php?id_autor=1134htm
http://www.brasilpolitica.net23.net/
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